Hipismo

Artigo de António José Matos de Almeida

Atual vice-campeão nacional de Jumping

Gentil e recentemente, fomos abordados no sentido de escrever algumas palavras sobre Hipismo. Embora muito lisonjeiro, este convite deixou-nos um pouco apreensivos em virtude de não nos sentirmos tão confortáveis a manusear “a pena e o papel” como as esporas e rédeas.

O primeiro desafio foi e continua a ser, neste momento em que vos escrevemos, a forma mais adequada de estruturar uma exposição sobre um tema tão vasto e com tantos matizes.

Atentem de que se trata de um desporto, mas esta atividade desportiva não está, em absoluto, dissociada de arte.

O Amor ao Cavalo

Montar a cavalo é aplicação de técnica com sentimento, gerando arte, ainda que seja no contexto de competição.

Mais diríamos, o Hipismo é uma prática sustentada no amor por esse singular produto da Criação Divina, que é o cavalo. Amor pelo animal e paixão pelas sensações que nos transmite.

Só com este estado de espirito faz sentido viver o “mundo do cavalo”, que não deve ser encarado apenas como um hobbie ou profissão, sendo verdadeiramente uma forma de estar na vida!

 Aconselhamos, com convicção, que quem não sinta profunda devoção por esta forma de viver, procure outros caminhos, outras atividades que, não obstante o seu potencial interesse, não sejam tão absorventes como a prática da equitação.

Prezados leitores desta modesta dissertação, o apelo pela equitação e pelo desporto equestre pode manifestar-se desde tenra idade, mas só se forjam “Homens de cavalos” aqueles que assumem um compromisso consigo próprios de plena e profunda dedicação.

Montar a cavalo é aplicação de técnica com sentimento, gerando arte, ainda que seja no contexto de competição.

Mais diríamos, o Hipismo é uma prática sustentada no amor por esse singular produto da Criação Divina, que é o cavalo. Amor pelo animal e paixão pelas sensações que nos transmite.

Só com este estado de espirito faz sentido viver o “mundo do cavalo”, que não deve ser encarado apenas como um hobbie ou profissão, sendo verdadeiramente uma forma de estar na vida!

 Aconselhamos, com convicção, que quem não sinta profunda devoção por esta forma de viver, procure outros caminhos, outras atividades que, não obstante o seu potencial interesse, não sejam tão absorventes como a prática da equitação.

Prezados leitores desta modesta dissertação, o apelo pela equitação e pelo desporto equestre pode manifestar-se desde tenra idade, mas só se forjam “homens de cavalos” aqueles que assumem um compromisso consigo próprios de plena e profunda dedicação.

Único desporto olímpico com igualdade de género

O Hipismo é uma prática singular e é o único desporto Olímpico em que Homens e Mulheres competem entre si, em igualdade de circunstâncias. Esta e outras características, fazem com que o Hipismo seja uma verdadeira escola de vida.

Estamos em crer que quando nos foi lançado este desafio, se pretendia uma reflexão menos “filosófica”, mais prática, técnica, mais “terrena”. Acontece, no entanto, que ao pensar no tema, somos, de imediato, assaltados por um turbilhão de sentimentos, de memórias, de alegrias, de frustrações, de mazelas e também de momentos mágicos de arte e gloria.

É sabido que os grandes mestres são aqueles que são capazes de expor um tema complexo de uma forma tão simples que se torna acessível aos instruendos. Tentaremos fazê-lo dessa forma, que se enquadra no nosso próprio percurso profissional.

Pretendemos dirigir-nos aos jovens, passando agora a “dissecar” esta atividade que, de tão complexa, só se executa de forma bem-sucedida “descomplicando”.

O sucesso do binómio cavalo/cavaleiro

Nessa medida, relativamente à modalidade de saltos de obstáculos, é vencedor quem realiza o percurso sem faltas mais rapidamente, “tout court”!

Com este axioma em mente, importa interiorizar tudo o que antecedeu esse momento, que se iniciou muitos anos antes, desde que o criador idealizou o cruzamento que veio a dar origem ao cavalo que ganhou uma prova.

O sucesso do binómio cavaleiro/cavalo é o reflexo do trabalho de toda uma equipa. Cada trofeu alcançado é fruto de um longo processo de trabalho multidisciplinar, desde a criação, ao desbaste e à formação de um jovem cavalo até se converter num atleta. Sendo o cavaleiro protagonista, o tratador tem um papel determinante neste processo de formação e consolidação da carreira desportiva de um cavalo.

O aspirante a cavaleiro deve focar a sua atenção nos mais diversos polos deste processo, de forma a adquirir conhecimentos gerais que lhe permitam interpretar cada um dos seus cavalos, não apenas no que concerne à adaptação da sua forma de montar por forma a potenciar as performances de cada animal, mas também abordar assuntos relativos ao tratamento, à siderotecnia e até ao acompanhamento veterinário, funcionado como um “pivot” de todos estes profissionais que intervêm na dinâmica de vida do cavalo.

Portanto o espirito de observação deve ser estimulado e o afã de enriquecimento de conhecimentos é um “status” permanente ao longo de toda vida de um cavaleiro.

Aprendemos com todos os que dedicam a sua vida ao cavalo e aprendemos com os próprios cavalos, interpretação dos seus comportamentos, das suas atitudes, reações e respostas a diferentes estímulos. Este processo permite que se desenvolva uma “linguagem silenciosa”, em que estabelecemos “conversas mudas” de puro sentimento com o nosso parceiro. 

Seres vivos com idiossincrasias tão distintas, acabam por veicular emoções entre si, atingindo um elevado grau de confiança e conhecimento mútuo. É desta forma, que se cria um conjunto coeso e vencedor.

Pelo exposto deixaremos transparecer que, na nossa conceção, do sentimento brota a arte. Mas desengane-se o novel ginete, mais importante que o talento é a dedicação, a abnegação, a resiliência, a racionalidade.

O preço a pagar

A emoção de ouvir o Hino Nacional vendo a bandeira desta “Ditosa pátria minha amada” numa triunfal entrega de prémios é o corolário de anos de trabalho intenso, de empenho, de entrega de “sol a sol”, que descreveríamos como um verdadeiro “estado de vigília equestre”.

Neste mundo não há férias, fins-de-semana, feriados, festas. Há sim calor, frio, chuva, pó, lama. Há pele queimada no verão, mas só na cara e nos braços, há frieiras e cieiro no inverno, há quilómetros de estrada, há as noitadas da cólica, há a deceção da lesão do cavalo, que muitas vezes parece doer mais que uma fratura da clavícula, há uma Família que se queixa da nossa ausência, e há um “segundo lar” de duas assoalhadas que são a cocheira e o picadeiro.

Esta forma de viver, quais centauros nas montanhas de Tessália, deve fomentar um sentimento de comunhão da comunidade hípica. Nós próprios o sentimos quando reputados Mestres, nos ajudaram, transmitindo conhecimentos.

Acreditamos que aqueles que revelem algum talento e muita ambição de se aculturar, encontrem nos cavaleiros mais experientes, como que de um desígnio de perpetuação da arte se trate, abertura e disponibilidade para a docência da equitação.

Jovens cavaleiros, o futuro acontece agora, calcem botas e esporas, toque na cabeça, e embarquem nesta viagem alucinante e magica que é o hipismo!

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